Quinta-feira, 20 de Agosto de 2009
publicado por Jamais em 20 Ago 2009, às 10:12

 

Desde 1995 que Portugal tem seguido um caminho sustentado para lado nenhum. Primeiro com a travagem abrupta no ritmo de convergência face à UE, depois com a divergência efectiva.

Os dados presentes e as perspectivas futuras variam entre o empobrecimento efectivo e o empobrecimento relativo, mas sempre, sempre empobrecimento. Como a Comissão Europeia constatou num relatório recente, a nossa situação é uma ‘protracted slump'.

A avaliação deste Governo na rua varia entre o transversal "políticos, cambada de bandalhos" e uma certa condescendência cultural indígena que convive com o que for preciso desde que não lhe baralhem muito a vida. Deste último caso são interessantes as formulações "fez algumas coisas boas" e "trouxe algumas pessoas competentes". O problema é que pessoalmente não conheço um único português a quem transferida para as mãos metade da riqueza nacional não fizesse "algumas coisas boas" ou não trouxesse "algumas pessoas competentes". A questão, passe o utilitarismo, é se o tipo de actividade e despesa sustentam e alavancam a sociedade ou se, pelo contrário, a aprisionam e contribuem para este lento e melancólico definhar que nos afasta dos padrões europeus que todos conhecemos e ambicionamos.

 

Desde 1995 passaram 14 anos, 11 foram governos e presidentes socialistas. Ninguém mais do que eles é responsável pelo que temos e pelo que não vamos ter se não invertermos caminho. Não vale a pena clamar pelo ‘subprime', pela posição geográfica ou pelos preços do leste ou do oriente. Qual é que é exactamente a importância destes pontos no modelo de Justiça que temos e que não funciona aqui nem em lado nenhum no mundo? É por uma questão de latitude que o programa do PS para a Justiça é de uma pobreza arrepiante? Qual é a relação exacta entre os preços dos têxteis mundiais e a péssima política legislativa, provavelmente a pior da Europa ocidental, responsável por um mau e interminável ordenamento legal onde nem os profissionais se entendem? E porque é que os nossos parceiros têm ao longo do tempo taxas de crescimento superiores às nossas debaixo do mesmo enquadramento internacional?

O quadro competitivo, fiscal, laboral, o sistema Educativo, de Saúde, de Justiça ou de Segurança, todos eles resultam de escolhas passadas que podemos identificar. Sabemos o que temos, sabemos como aqui chegámos e sabemos nós e todas as agências internacionais para onde não vamos nos próximos anos se tudo se mantiver igual.

Sente alguma espécie de simpatia face a quem nos trouxe a esta situação?


Manuel Pinheiro - Texto publicado no Diário Económico 


1 comentário:
De De nihilo nihil a 20 de Agosto de 2009 às 11:10
Perfeito!


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Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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