O João Galamba repete à exaustão que quem não vê com bons olhos os apoios às empresas não conhece a realidade e sofre de utopia. É bonito, e fácil também, atirar palavrões para cima dos outros. O problema é que todas estas palavras chave, por serem de utilização fácil, têm duplo sentido. Aplicam-se tão bem num campo como no outro. É assim que tanto se pode apelidar de utópico aquele que não acredita nos apoios directos do Estado como aquele que acredita. O João não vê, recusa-se a ver e até a reconhecer o naturalmente óbvio: Qualquer ajuda do Estado a uma empresa, pressupõe o prejuízo de outra empresa e dos cidadãos. Quer através de impostos, quer criando e incentivando concorrentes que só se podem apelidar de desleais. Dir-se-á que é uma forma de as empresas portuguesas se poderem internacionalizar, conseguirem exportar. A pergunta que se faz é esta: Por que motivo vamos cobrar impostos para financiarmos empresas quando a redução desses mesmos impostos já seria ajuda suficiente?
Só vejo uma resposta. Uma única razão: A necessidade de o Estado manter o seu poder sobre os cidadãos e as empresas. Quem dá também tira. Quem tira também pode dar. Tirando isto, não vejo mais nada, pois nunca vislumbrei e não vem em qualquer manual de política, economia, filosofia minimamente recomendáveis, que um político quando ascende ao poder, adquira poderes mágicos e se torne um gestor fora de série.
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