Quinta-feira, 20 de Agosto de 2009
publicado por Maria João Marques em 20 Ago 2009, às 17:23

A loja Cartier em Lisboa fechou. Isto - que desde logo dá uma ideia do número exageradíssimo de ricos que há em Portugal prontos a serem (mais) taxados pelos justiceiros do Bloco e, agora, também por Teixeira dos Santos com a sua proposta de diminuição para a próxima legislatura de deduções fiscais 'para os ricos' (depois da criação do escalão que paga 42% de IRS, não esqueçamos) - quer dizer apenas que a loja vendia pouco.

 

Aproveito, no entanto, o encerramento da Cartier para relembrar um problemazito que a loja teve com a ASAE (uma brilhante criação do governo Sócrates que injustamente temos esquecido aqui no Jamais). Ora em Portugal, numa das inúmeras e prejudiciais leis que temos, é dito que uma loja que tenha alvará para vender jóias não pode vender outro tipo de produtos. Porquê? Não se vislumbra. As marcas de luxo como a Cartier, a Luís Vuitton ou a Hermés (para referirmos as da notícia linkada) vendem não só jóias como também carteiras e demais marroquinaria, todo o tipo de acessórios em todo o tipo de materiais, lenços, malas de viagem, perfumes, relógios, e um largo etc. Em todo o mundo, desenvolvido e em vias de desenvolvimento, é-lhes permitido vender toda esta panóplia de produtos no mesmo espaço (algo que todos percebemos não prejudicar nenhum consumidor) - excepto em Portugal. Como resultado da acção da ASAE e de uma lei nociva, a Cartier deixou de vender outros produtos que não jóias e a Hermés e a Louis Vuitton deixaram de vender jóias. (Lojas portuguesas na mesma situação escapam, felizmente, à ASAE porque não lhes garantem a publicidade que os seus dirigentes também procuram).

 

O problema: estas leis que se dedicam a hiper-regulamentar qualquer actividade económica, e o que mencionei foi apenas um caso caricato, não afectam apenas as grandes marcas e as grandes empresas, mas todas as empresas de todas as dimensões, levantando constrangimentos à sua actividade que se justificam apenas pela vontade controleira do Estado e não por qualquer defesa de saúde pública ou ética empresarial ou... É urgente rever inúmeras destas leis, de forma a permitir que o objectivo de uma empresa seja a rentabilidade económica e não o cumprimento de cada alínea das surreais leis e regulamentações (até de juntas de freguesia) inventadas por cá. Algo ausente do programa eleitoral do PS. Mas que consta das ideias de Manuela Ferreira Leite para governar, como se lê no site Política de Verdade: "Rever a generalidade dos processos de licenciamento, sendo solicitado às Associações Empresariais que apresentem os motivos de estrangulamentos dos processos de licenciamento de natureza regulamentar e processual, para que se proceda às adaptações necessárias legislativas e organizativas"; "O programa das PME do PSD visa alcançar objectivos claros de modo a criar um ambiente favorável ao desenvolvimento e à facilitação da livre iniciativa empresarial, removendo obstáculos, vencendo estrangulamentos, simplificando procedimentos e ajudado a criar uma nova cultura económica em Portugal".


tags:
9 comentários:
De horacio a 20 de Agosto de 2009 às 18:24

Maria João o nosso primeiro está a a "borrifar-se" para a Cartier. Ele gosta é da Armani. Se fosse essa loja a fechar é que ele tinha uma dor de cabeça. Em Portugal temos Xuxalismo Armanista.


De Maria João Marques a 20 de Agosto de 2009 às 23:43
Eh, eh, será que a ASAE teve indicação para não se meter com a Emporio Armani? Mas o problema, como disse, não foi o caso concreto, mas a míriade de regulamentações e legislação ridícula que atrapalham e não trazem nada de positivo.


De M. Isabel Goulão a 21 de Agosto de 2009 às 01:31
Que grande absurdo tudo isto, valha-me Deus....


De Vera Santana a 23 de Agosto de 2009 às 19:55
Cara Maria João Marques,

Fico sem perceber se a Cartier fechou em Portugal por falta de clientes ou por excesso de regulamentação.

Se esta última é a causa do fecho da loja, o seu primeiro parágrafo está a mais. Se, inversamente, a causa do fecho foi a falta de clientela, todo o texto está a mais, excepto o primeiro parágrafo.

De qualquer modo, não pode - nunca, jamais! - concluir que a falta de clientes Cartier em Portugal significa a quase inexistência de ricos em Portugal. Há muitas lojas Cartier pelo mundo fora e os ricos (velhos e novos ricos) de Portugal têm sempre hipótese de entrar num avião (na classe executiva ou em avião privado) para adquirir "Cartiers" noutros países, pouco se importando com o despedimento de trabalhadores em Portugal, por falta de clientes nas unidades produtivas ou comerciais portuguesas. É muito mais blasé dizer "Babá, táaá a ver? O Jaime ofereceu-me este anel Cartier, depois de um fantáááástico jantar, na 4ª feira, em NY. Não aaaaacha lindo?".


De Vera Santana a 23 de Agosto de 2009 às 21:33
Esqueci-me (ou a net papou?) de:

Cumprimentos,

Vera Santana


De Maria João Marques a 24 de Agosto de 2009 às 00:09
Vera, presumo que a Cartier tenha fechado por faltas de vendas. Como escrevi, aproveitei o incidente para relembrar a lei disparatada que a ASAE forçou em 3 lojas de luxo.

Quanto ao facto de os ricos portugueses poderem comprar peças da Cartier noutros países (tal como outros bens de luxo), é um facto. Tal como é um facto que noutras capitais em que os ricos também viajam e fazem compras em países que não o seu as lojas Cartier (e Bulgari, e Chopard, e....) se aguentem nas vendas. O facto de se poder comprar em NYnão quer dizer que se compre sempre em NY e nunca em LX. Lamento, mas o encerramento da Cartier afirma claramente o escasso número de pessoas com grande poder de compra que temos. I.e., de ricos.


De Vera Santana a 24 de Agosto de 2009 às 07:06
Maria João,

Ou que os ricos em Portugal são tão anormalmente ricos e tão anormalmente pouco nacionalistas que, sempre que querem um objecto de luxo (Cartier ou outro), apanham um aviãozinho a jacto para uma outra capital.

Desculpe, Maria João, mas falo com algum conhecimento de causa. Muitos dos nossos "ricos" dão um salto a NY por dá cá aquela palha, capital onde lhes sai mais barata a compra de objectos de luxo. Se comprarem 2 ou 3, a compensação monetária é suficiente para pagar ida e volta em classe executiva e ainda têm direito a uma compensação simbólica: um objecto de luxo comprado no estrangeiro.

Alguns ricos de hoje continuam iguaizinhos aos ricos de antigamente: ostentam o que têm, louvam os países estrangeiros, borrifam-se para Portugal, vivem em paraísos fechados.

Lamento profundamente.

Cumprimentos,

Vera Santana


De Rodrigo Adão da Fonseca a 24 de Agosto de 2009 às 11:49
«Muitos dos nossos "ricos" dão um salto a NY por dá cá aquela palha, capital onde lhes sai mais barata a compra de objectos de luxo.»

Claro. Eles deviam era ser burros e comprar cá mais caro, cheios de impostos, para agradar à Vera. Estes ricos que vão ao estrangeiro comprar mais barato deviam ser carregados com mais impostos no IRS, para ver se passam a comprar cá. Mas que falta de solidariedade, ir comprar cartiers a NYC...

E aqueles que compram imóveis de luxo a off-shores, a preços simpáticos, em vez de promoverem os nossos agentes imobiliários? Uns patifes, estes ricos.

Essa gente que compra no estrangeiro, cartiers e imóveis, e que só come fruta descascada pela empregada, cerejas sem caraço, e uvas sem grainha, são a vergonha nacional. O que nos vale é que temos o PS para colocar o país e os ricos na ordem.


De Vera Santana a 24 de Agosto de 2009 às 17:44
Caro Rodrigo Adão da Fonseca,

Ambos estamos de acordo e em desacordo com a Maria João Marques. Podemos continuar o diálogo.

As compras de produtos de luxo no estrangeiro são feitas por velhos e por novos ricos. Há famílias que voltaram a ter poderes económicos que tinham antes do 25 de Abril, produto de investimento e de empreendedorismo que fazem andar Portugal para a frente. Sou absolutamente a favor destas iniciativas privadas que trazem riqueza ao País. Há famílias com riquezas emergentes que conquistaram poderes económicos, produto de investimento e de empreendedorismo que fazem andar Portugal para a frente. Sou, igualmente, absolutamente a favor destas iniciativas privadas que trazem riqueza ao País.

Há gritantes enriquecimentos emergentes conquistados a partir de lugares outros que não os económicos. Não posso concordar. Há especulação financeira e imobiliária com as quais não concordo.

Não considero admissível nem a compra ostentatória de objectos de luxo no estrangeiro nem com a compra de imóveis a partir de offshores . Os offshores têm de acabar e espero que a UE legisle forte e feio sobre os ditos offshores , embora reconheça que, dados os resultados das eleições europeias - com o PE a pender para a direita - não seja um caminho fácil.

Defendo o aumento dos impostos sobre os ganhos do capital não reinvestidos na produção nacional. Não defendo o aumento de impostos sobre rendimentos do trabalho. Espero que o PS no poder venha a aumentar os primeiros, porque defendo a redistribuição com alguma justiça. Jamais o PSD defenderá tal redistribuição.

A vossa direita PSD é francamente anti-patriótica , o que me dói, tanto mais que há uma certa direita que conjuga um discurso nacionalista com práticas anti-patrióticas . Paradoxal!

Cumprimentos,

Vera Santana





Comentar post


Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
Vídeo da Semana
autores
posts recentes

Valeu a pena dizer "Jamai...

...

A luta continua.

Até amanhã camaradas

Post final

O novo PSD

"Obrigado Manuela", segui...

Saudações democráticas

Parabéns ao PS

No dia 27, vamos todos vo...

últ. comentários
O Sôtor Elisio Maia fala assim porque depende do a...
ótimo blog, parabéns...
Realmente é o pais considerado como o pais do truq...
Conversa de urinol ..... caro boy PS!!!
Caro amigo anónimo, de facto encontro alguma razão...
meu caro amigo, não duvido das suas competências.....
está completamente certa. Mais... o 12º é pior, po...
nao faz a minima ideia de como existem formandos a...
Esta afirmação de Platão devia estar melhor docume...
Escandalizam-me reflexões como as do artigo da Sra...
mais comentados
links
arquivos

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

subscrever feeds