Uma jornalista perguntou a Almeida Santos, Presidente do Partido Socialista, se este considerava que Palma Inácio havia sido suficientemente reconhecido pelo país e pelo próprio Partido Socialista. Almeida Santos respondeu de forma algo perturbadora: «O Partido Socialista esteve sempre disponível para o compensar e o recompensar da forma que ele quisesse. Nunca quis nada. Ele no fundo foi vítima da sua própria modéstia. Nunca quis nada: nenhuma honraria, nenhum cargo, nenhuma nomeação». Temos aqui um perfeito exemplo disto que aqui escrevi e da necessidade de se mudar a lógica da utilização do Estado para «recompensar» pessoas.
De Francisco Cavaco a 26 de Julho de 2009 às 20:53
VC deve ser um bocado distraído sabe quem foi Palma Inácio? um homem que lutou uma vida inteira contra a ditadura. No Portugal que dá pensões a Pides por serviços distintos deixa morrer a fome um lutador pela liberdade. Em VC nunca votarei Jamais
Palma Inácio pode ter lutado imenso contra a ditadura. Mas não é isso que está aqui em questão. A questão é que um partido quis dar um lugar de Estado por nomeação a uma pessoa sem que fosse pela sua competência. Reconhecer o que Palma Inácio fez? Quem quiser que o faça. Agora oferecer-lhe um cargo público remunerado pelos impostos de todos é uma obscenidade.
Eu não lhes estou a pedir o voto, não me candidato a nada :)
De
Stran a 26 de Julho de 2009 às 21:53
Tiago,
Tu é que estás a inferir que é no estado! Ou seja estás a partir de um pressuposto que pode não corresponder à verdade...
Ó Stran, por favor:
«nenhuma honraria, nenhum cargo, nenhuma nomeação»
A honraria é dúbia, sim senhor. O cargo até poderia ser dentro do PS. Mas a nomeação dificilmente será fora da Administração Pública... Ou o Partido já nomeia pessoas para empresas e assim?
De
Stran a 27 de Julho de 2009 às 16:55
Antes demais não sei como funciona a organização do PS, pelo que não sei se não existem cargos por nomeação. Assim de repente lembro-me que o PS está associado a fundações (logo poderia ser por isso).
Mas como sabes que a pessoa não tinha competências para um cargo de nomeação politica?
Um País com Padrinhos capazes de essa espécie de naturalidade obscena de um Almeida Santos só pode desconvergir, decair, desmoralizar-se e emurchecer. É a sociedade anti-meritocrática no seu mais abjecto desempenho esconso. Façamos uma pequena ideia de quanto os prebendados anti-Palma Inácio pesam nos OEs, ano após ano.
É escândalo para Guilhotina, cambada de negreiros do Povo Português, o grande enganado. Qual democracia qual carapuça?! Caro Tiago, há que abrir os olhos e fazer pressão por expelir do PSD os que tenham equivalentes genes.
Este tema que vem debatendo, como diz, aplica-se a todos os governos que foram alternando. Como todos sabemos, só houve alternância entre PSD (coligado ou não) e PS (com outro tipo de alianças -excepto agora, com maioria absoluta socrática). Todos utilizaram a mesma estratégia de "jobs for the boys", de forma mais ou menos exuberante. A verdade é que sempre se basearam no vergonhoso princípio da "confiança política". Logo, todos os partidos são desconfiados, pois não acreditam na hombridade das pessoas competentes, preferindo seguir à linha o "Princípio de Peters" em que, quanto mais incompetente, melhor (dominam-se melhor os fracos e submissos). A "disciplina partidária", nas votações e decisões importantes, é também uma confirmação dessa conduta abjecta e desconfiada. Defendem os seus interesses e ideias (mesmo as más) num autêntico "corporativismo partidário" doentio e eivado de maniqueísmo político. Não se aproveitam os mais competentes para a governação e gestão de empresas públicas, independentemente das suas ideologias, nem se aproveitam as ideias dos mais doutos e conhecedores dos variados temas e políticas.
Governa o PSD e trata de mostrar obra, desfazendo tudo o que o seu adversário político aprovou, mesmo o que era bom. Governa o PS e cai no mesmo erro! Mais despesas para um País miserável, mais indemnizações para quem é substituido. O País torna-se, sob o olhar atónito dos eleitores, um autêntico ió-ió nas mãos dos governantes. Do povo, ninguém lucra, pois o erário público é delapidado de forma ostensiva e obcena. Os políticos e seus seguidores e amigos, lá vão enriquecendo descaradamente, ao abrigo de exageradas remunerações e subvenções, além de indemnizações e outros ilícitos que os tornam fulgurantemente ricos de forma inexplicável. Aliás este facto foi agora aprovado com a lei da não criminalização do enriquecimento ilícito, já que ganham (60% do produto roubado) o Governo (ALI-BÁBÁ) e os ladrões (40% do produto). Vale a pena roubar, pois a lei permite...desde que seja um GRANDE a fazê-lo, pois os ladrões de rua são julgados, rapidamente, e pagam nas cadeias a miséria que roubaram, muitas vezes para matar a sua fome e a dos seus.
Conclusão, não vale a pena lutar contra os moinhos de vento, qual D. Quixote, pois o PODER é imensurável e quem lá coloca os eleitos limita-se a beijar a extremidade distal do pedesta em que os colocou, e vai apanhando umas calcadelas e pontapés.
São todos iguais, elegendo-se primariamente uns aos outros, sempre os mesmos em rotação aleatória (vejam os nomes das listas para as legislativas...onde mora a renovação?), autoproclamando-se os verdadeiros defensores dos direitos do povo! Que direitos?!...
Após 35 anos, governados quase sempre pelos mesmos, continuamos na cauda da Europa, com uma seita de políticos e gestores (todos em ignominiosa autogestão) que urge expurgar, mas, sinceramente, não vejo como. Eles continuarão a autonomear-se, a governar-se e a delapidar este já miserável recanto duma lusofonia a mergulhar em afonia.
Só pretendia corrigir duas "gralhas" na escrita: como se depreende será "obsceno" e não "obceno"; da mesma forma será "pedestal" em vez de "pedesta". As minhas desculpas pelas incorrecções
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