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Jul09
Sócrates, o licitador
José Gomes André
O PS tem encarado esta campanha eleitoral como se de um leilão se tratasse. A cada imaginado “quem dá mais?” responde Sócrates com um longo enunciado de propostas: subsídios para todos os grupos sociais, internacionalização de empresas, bolsas para estudantes, passes para transportes, emprego para quem não trabalha, obras farónicas, baixas médicas suportadas pelo Estado – não há área da actividade social e económica que não receba chorudos incentivos financeiros.
Restam dois problemas, claro. Um é de índole pragmática: com a receita a diminuir brutalmente, e a despesa a crescer, apetece perguntar como é que o Estado vai pagar tudo isto. Não sou perito em economia, mas a resposta – todos o sabemos – passará ou pelo aumento significativo dos impostos ou pelo crescimento de uma já assustadora dívida externa. Convinha que quando Sócrates promete o bolo esclarecesse de onde vem a farinha.
O segundo problema é, obviamente, a questão da credibilidade. Depois de fazer vista grossa ao seu próprio programa eleitoral, desde o tema da (não)subida de impostos ao (putativo) controlo do défice, estas propostas de Sócrates equivalem a um punhado cheio de nada, uma espécie de divagação política que ninguém pode levar a sério.
