Segunda-feira, 27 de Julho de 2009
publicado por Rodrigo Adão da Fonseca em 27 Jul 2009, às 21:56

 

O Paulo Marcelo já comentou este post, num texto que subscrevo na íntegra. Mas ainda assim não vou perder a oportunidade de responder ao desafio, até porque não é todos os dias que vemos o João Galamba a falar por sound bytes tão curtos. Então, basicamente pergunta-se no SIMplex o que os apoiantes de MFL pensam sobre duas frases bombásticas do Nosso Primeiro:

 

"Há uma revolução tecnológica em curso. Portugal tem de escolher: arrisca ou fica passivamente à espera que algo aconteça"

 

Usando uma metodologia de análise a la joão galamba (antes de aderir ao recente estilo sound byte) diria que estamos perante um chavão com uma pitadazinha de historicismo marxista, com o seu quê de PREC: bem, se há um processo revolucionário em curso, certamente o PS deve ter um "plano". Assim, do que percebi, parece que para o PS o mundo entrou numa espiral irreversível, uma espécie de túnel de vento para onde devemos saltar de olhos fechados. José Sócrates acha que devemos "arriscar". Uau! Certo.

 

"Produzimos nós ou importamos dos outros"

 

Há novamente aqui um afloramento marxista, mas agora numa versão retro-flashback, do tipo "Lada". Os Lada, para quem se recorda, era aqueles carritos de fabricação soviética. Se for para produzir Ladas, prefiro que nos dediquemos à compra de produtos importados. Se for para produzir alguma coisa decente, logo veremos, os compradores encarregar-se-ão de os viabilizar. Só não sei o que é que uma versão reciclada da coligação "Sócrates & Pinho" pode acrescentar neste campo, pois que se saiba no governo temos políticos que se devem dedicar a fazer leis, a gerir bem as finalidades do Estado, como a Justiça, a Segurança, a Educação, a Saúde. Não se conhecem méritos de inovação aos políticos. Se soubessem inovar e arriscar, eram empresários, e não políticos.

 

Dispenso que os políticos sejam investidores em meu nome, que arrisquem o meu dinheiro. Espero que haja muitos empresários a investir em novas tecnologias. Se forem para a Bolsa, estarei disponível para "arriscar" parte das minhas poupanças, voluntariamente, se sentir que o projecto é bom. Por exemplo, "arriscaria", dependendo do preço, obviamente, em acções da iDreams, se esta empresa optasse por abrir o seu capital ao investimento do público.

 

Gostaria ainda que um futuro governo criasse as condições para que os projectos de investimento - em qualquer área, e não apenas os que se afirmem no eixo da "revolução tecnológica em curso" - possam ver eliminadas as verdadeiras barreiras ao seu arranque, não apenas as que foram abrangidas pelo Simplex, mas sobretudo aquelas que são críticas para a sua sobrevivência, como a criação de mecanismos adequados para que em Portugal não morram à nascença empresas por atrasos nos pagamentos (área onde o Estado continua a dar o pior exemplo), pela possibilidade do IVA só ser entregue quando for efectivamente cobrado aos clientes (num sistema de caixa), ou pela simplificação dos licenciamentos.

 

Espero também que na administração pública surjam projectos inovadores, nascidos na base, simples e flexíveis, mas geradores de valor acrescentado, como o que foi promovido pelo Hospital S. Sebastião, em Santa Maria da Feira, premiado internacionalmente pela Microsoft, projectos que não existem para cumprir agendas políticas, nem têm a pretensão de, antes de finalizados e avaliados, serem a panaceia para todos os males, que é o que acontece quando a iniciativa é promovida pelo Estado Central.

 

Agora, espero que o próximo Governo fique bem quietinho, e não gaste o dinheiro dos contribuintes tentando "informatizar" o país como arma de arremesso político, ou como forma de distribuir benesses. Dispenso mais adjudicações directas como a que foi feita à J. P. Sá Couto para o Magalhães, ou baptismos de computadores da Intel com o nome de personalidades da nossa história. Assim, neste campo desejo mesmo que o Governo fique passivamente à espera que algo aconteça, e que deixe o dinheiro dos nossos impostos bem sossegadinho.



Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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