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Jamais

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08
Set09

A perseguição do PS à imprensa

Nuno Gouveia

Vários foram os casos que envolveram o governo, e José Sócrates pessoalmente, em ataques à liberdade de imprensa nos últimos anos. 

O caso da licenciatura de José Sócrates na Universidade Independente, e alterações no seu currículo oficial, foi o primeiro grande embate entre São Bento e a comunicação social. Este caso, que começou no blogue Portugal Profundo, demorou o seu tempo a surgir nos meios de comunicação social. Durante esse processo, o director do Público e da Rádio Renascença acusaram o gabinete de José Sócrates de ter exercido “pressões ilegítimas” sobre jornalistas dos dois órgãos. Além disso, várias foram os rumores de telefonemas em tom ameaçador para jornalistas, para tentar impedir a sua publicação, ou condicionar o rumo da cobertura.

No congresso de Fevereiro, José Sócrates deu o mote para o ano eleitoral, ao apontar dois órgãos de comunicação social como seus adversários políticos. Mostrando as suas dificuldades em conviver com uma imprensa hostil, o primeiro-ministro viria mais tarde, num inédito ataque a um programa de televisão, a considerar Manuela Moura Guedes como executante de uma verdadeira caça ao homem, num telejornal “travestido” de jornalismo.

José Sócrates, sentindo-se perseguido por uma cobertura do processo Freeport (que seria alvo da imprensa em qualquer democracia), processou vários jornalistas, numa tentativa obvia de delimitar o trabalho jornalístico. Ao todo, foram mais de nove os alvos da fúria do Primeiro-ministro. Um deles, João Miguel Tavares, já viu ser-lhe reconhecida razão nos tribunais.

Nunca escondendo que o Jornal Nacional das sextas-feiras era incómodo para o governo, em Junho o país assistiu a uma tentativa de compra da TVI por parte da Portugal Telecom, negócio este que vinha a ser cozinhado nos bastidores desde o inicio do ano, com o consentimento de José Sócrates.

Também em Julho deste ano, soubemos que a direcção de informação da TSF tinha sido remodelada dois meses antes das legislativas, com o afastamento da editora de politica, Teresa Dias Mendes. Esta jornalista foi removida da secção de política pouco depois de ter sido alvo da fúria de José Sócrates durante uma troca de palavras azeda, devido uma peça que desagradou o Primeiro-ministro. 

Finalmente, a pouco menos de um mês das eleições legislativas, Manuela Moura Guedes é afastada do ar pela administração da Prisa, depois de José Eduardo Moniz já ter saido da direcção geral da TVI.

Como tem sido habitual neste Partido Socialista, logo surgiram as acusações de cabalas, ciladas, campanhas negras e urdiduras a terceiros, como se nada tivessem a ver com o caso. Mas o que a actuação deste governo nos diz é que ele tudo fazem para pressionar ou delimitar a acção da imprensa. Porque haveria de ter sido diferente neste caso, quando tudo fizeram para que este cenário acontecesse? 

13 comentários

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Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.

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