O PS e ao Bloco de Esquerda
Quem viu ontem o debate entre o radical Francisco Louçã e José Sócrates poderá pensar que há diferenças inultrapassáveis entre ambos. Se é verdade que a visão económica do Bloco de Esquerda assenta num radicalismo arcaico, e recusado por todas as forças moderadas na Europa, também é verdade que há vários sectores deste Partido Socialista que gostavam que o BE manifestasse desejo em partilhar o governo. Ferro Rodrigues, Mário Soares ou Manuel Alegre várias vezes elogiaram o Bloco de Esquerda, sendo que o primeiro assumiu publicamente a defesa de uma aliança pós eleitoral entre ambos.
Neste período eleitoral, o Partido Socialista e os seus apoiantes têm-se dedicado a criticar fortemente o Bloco de Esquerda, não por convicção, mas devido a uma agenda eleitoral. Mas nem sempre foi assim. Em vários assuntos, este Partido Socialista andou de mãos dadas com os radicais que agora repelem. E sabemos como até há bem pouco tempo o PS e o BE lutavam entre si para mostrar quem era mais anti-neoliberal. No famoso manifesto pelas obras públicas, por exemplo, radicais do Bloco de Esquerda, entre eles Francisco Louçã, partilhavam a sua assinatura com conhecidos socialistas. Sabemos também que alguns daqueles que agora mais criticam Francisco Louçã, foram seus apologistas até há bem pouco tempo. O Bloco de Esquerda apenas se transformou em inimigo visceral neste período eleitoral. O que nada garante que depois de 27 de Setembro, caso o PS vença as eleições, não possa haver esta coligação de esquerda. O BE, como partido oportunista que é, bem poderia esquecer as nacionalizações e a saída da Nato, por exemplo, e aliar-se com este Partido Socialista. Apesar das juras em sinal contrário.
Se é perigoso que este PS continue a governar Portugal, pior seria que estivesse coligado com o Bloco de Esquerda. A única forma de evitar estes cenários é uma vitória do PSD. E neste sabemos que há apenas uma única coligação em cima da mesa: com o CDS.
