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Jamais

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09
Set09

O PS e ao Bloco de Esquerda

Nuno Gouveia

Quem viu ontem o debate entre o radical Francisco Louçã e José Sócrates poderá pensar que há diferenças inultrapassáveis entre ambos. Se é verdade que a visão económica do Bloco de Esquerda assenta num radicalismo arcaico, e recusado por todas as forças moderadas na Europa, também é verdade que há vários sectores deste Partido Socialista que gostavam que o BE manifestasse desejo em partilhar o governo. Ferro Rodrigues, Mário Soares ou Manuel Alegre várias vezes elogiaram o Bloco de Esquerda, sendo que o primeiro assumiu publicamente a defesa de uma aliança pós eleitoral entre ambos.

 

Neste período eleitoral, o Partido Socialista e os seus apoiantes têm-se dedicado a criticar fortemente o Bloco de Esquerda, não por convicção, mas devido a uma agenda eleitoral. Mas nem sempre foi assim. Em vários assuntos, este Partido Socialista andou de mãos dadas com os radicais que agora repelem. E sabemos como até há bem pouco tempo o PS e o BE lutavam entre si para mostrar quem era mais anti-neoliberal. No famoso manifesto pelas obras públicas, por exemplo, radicais do Bloco de Esquerda, entre eles Francisco Louçã, partilhavam a sua assinatura com conhecidos socialistas. Sabemos também que alguns daqueles que agora mais criticam Francisco Louçã, foram seus apologistas até há bem pouco tempo. O Bloco de Esquerda apenas se transformou em inimigo visceral neste período eleitoral. O que nada garante que depois de 27 de Setembro, caso o PS vença as eleições, não possa haver esta coligação de esquerda. O BE, como partido oportunista que é, bem poderia esquecer as nacionalizações e a saída da Nato, por exemplo, e aliar-se com este Partido Socialista. Apesar das juras em sinal contrário.

 

Se é perigoso que este PS continue a governar Portugal, pior seria que estivesse coligado com o Bloco de Esquerda. A única forma de evitar estes cenários é uma vitória do PSD. E neste sabemos que há apenas uma única coligação em cima da mesa: com o CDS. 

 

2 comentários

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Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.

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