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Jamais

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11
Set09

Podia, mas não era a mesma coisa

Sofia Rocha

 

 

Totodebate: A chave de Portas vs Ferreira Leite

 

Podia a comunicação social viver sem Paulo Portas? Podia, mas não era a mesma coisa.

 

Se este debate Paulo Portas/Manuela Ferreira Leite era para a direita e o centro-direita, o que o debate Sócrates/Louçã era para a esquerda e o centro-esquerda, então temos de concluir que este debate foi muito mais equilibrado, sem controvérsias, casos, ou depoimentos para memória futura, ao contrário do debate da esquerda.

Paulo Portas apresentou-se como sempre: cheio de certezas apriorísticas sobre tudo, política, ética e metafísica. Acto contínuo, passa dessas certezas para frases perfeitas de métrica e musicalidade. Paulo Portas foi um percursor em Portugal de um estilo. Esse estilo revolucionou e marcou a forma de comunicar em Portugal e é tremendamente eficaz, dentro do género.

A linguagem e mecanismos que usa são sempre reconhecidos pelos órgãos de comunicação social que, com uma apresentação gourmet, comem fast food político. Está ali, está pronto e é fácil.

A Dra. Manuela Ferreira Leite não comunica dessa forma. Presumo que não queira reduzir a complexidade das questões a frases lapidares, prontas a servir, no que faz muito bem. Pelo menos em dois momentos deste debate pudemos ver que Manuela Ferreira Leite pensa e age como um governante e não como um comunicador.

Primeiro quando chamou a atenção a Paulo Portas sobre a baixa de impostos dizendo que se fosse Primeiro-Ministro não o poderia fazer e segundo quando se recusou a pronunciar frases sentenciosas, generalistas e definitivas sobre os beneficiários do Rendimento Social de Inserção.

Manuela Ferreira Leite, sem o dom da comunicação, mostrou que às vezes tem dúvidas, ou pelo menos não tem as certezas de Paulo Portas, e até é capaz de se enganar.

É capaz de ser o resultado de já ter assinalável experiência de vida, experiência como governante, de já ter visto muita coisa, de se preocupar com o país e com os portugueses.

 

Coisa que a comunicação social e comentadores acha comida pesada, sem o brinde.

 

2 comentários

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Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.

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