Terça-feira, 28 de Julho de 2009
publicado por Tiago Moreira Ramalho em 28 Jul 2009, às 10:48
Não gosto de tratar de assuntos pessoais publicamente, mas já que Hugo Mendes disse o que disse à frente de uma câmara que ele julgava estar a transmitir em directo o que se fazia, nada me resta que não responder, também, publicamente.
Ontem, na blogoconferência, fiz a José Sócrates uma pergunta extremamente simples sobre a aplicação do SIADAP em 2008. Há manifestas falhas nos números em boa hora denunciadas e, já que durante o encontro José Sócrates referiu os 90% de funcionários públicos avaliados com o seu ar triunfal, não resisti a colocar-lhe a questão. Os pormenores poderão ser vistos quando publicar o vídeo, mas basicamente, José Sócrates não conhecia os números e tentou dar a volta à questão. Insisti na pergunta, porque considerei aquilo importante e nova resposta vazia. Entretanto, Hugo Mendes, visivelmente incomodado com o facto de José Sócrates não ter a resposta na ponta da língua, mexe-se muito na cadeira e começa-me a dizer que tinha que ver com a entrega de objectivos (Hugo, entregar objectivos não é ser avaliado); ainda mais incomodado, correu para junto de José Sócrates para lhe segredar ao ouvido a sua versão para uma resposta sofrível (pareceu-me que Sócrates nem ligou). Insistente, Hugo Mendes ainda escreveu um papelinho que fez chegar a José Sócrates. Acabei por desistir da pergunta, que o incómodo já era demasiado.
Logo a seguir a mim, foi Hugo Mendes a ter a oportunidade de fazer uma pergunta (nem percebi bem qual foi) a José Sócrates. No início da pergunta Hugo Mendes diz esta pérola, que cito de memória: «não vou fazer nenhuma pergunta para aparecer no noticiário das 8. Penso que confrontar os outros com números que os outros não conhecem é pouco ético». Pois, Hugo Mendes, tenho a dizer apenas duas coisas: em primeiro lugar, José Sócrates recebeu-nos para que fizéssemos precisamente as perguntas que quiséssemos fazer e julgo que uma pergunta sobre o SIADAP não é propriamente nada do outro mundo. Em segundo lugar, ao contrário de outros, eu não sei o que é que José Sócrates sabe ou não antes de lhe perguntar o que quer que seja. Supus que soubesse, dado ter referido a percentagem total. Estas coisas fazem comichão, bem sei. Mas nem tudo aquilo que não gostamos especialmente é falta de ética. E, para mim, que não ando no meio, acusar-me de falta de ética não é coisa pouca. É que não conheço o Hugo Mendes de lado nenhum. Fiquei feliz por, pelo menos, José Sócrates no final ter vindo à minha beira dizer que não houve nenhuma falta de ética e até tive o prazer de lhe dar os endereços das notícias que se referem a estes estranhos números.
Agora para os leitores do Jamais, digo que mais pormenores da pergunta e da resposta virão mais tarde, com o respectivo videozinho.
E tanto zelo não é merecedor de um lugarzito nas listas?
Se ali esteve alguma falta de ética, com toda a certeza e acreditando no que dizes, não foi tua, mas de quem foi lá servir de tapete ao PM.
Eu vou publicar o vídeo e vais poder ver o que aconteceu ;)
Sopus que soubesse!?! Será que quis dizer SUPUS que soubesse. E olhe que o verbo supor é de cultura geral ao contrário dos números do SIADAP
Mas enfim, supor que o primeiro-ministro ou um blogger do Jamais sejam omniscientes é capaz de ser pedir um pouco demais.
Pelo menos, claro, até vermos a Manuela Ferreira Leite, uma política de verdade e modéstia e profunda cultura democrática a seguir o exemplo de Sócrates. Espero ansioso pelo ENCONTRO DE MANUELA FERREIRA LEITE com os bloggers .
Tem toda a razão, a gralha é imperdoável.
Também aguardo por um encontro semelhante feito por MFL.
Imperdoável não é, mas é gralha, e a qualquer um - primeiro-ministro ou blogger - fica bem reconhecer que não sabe algumas coisas ou que errou. Ninguém é dono da verdade toda.
Aí está uma coisa em que concordamos, Bruno.
É verdadeiramente delicioso ver a que nível chegou a discussão política no "Jamais".
Hugo, uma pergunta de quem não está muito a par destas coisas:
A que título participou na BlogConf ?
É assessor de José Sócrates? Fazia parte da organização? Fazia parte da lista de blogs inscritos?
De Pedromi a 28 de Julho de 2009 às 11:26
Como eleitor vejo que as campanhas da oposição não passam de meros ataques ao Governo.
"Mais 4 anos de Governo Socrates?" e porque não:
"Dêem-nos 4 anos e PORTUGAL singrará"
Porque não apresentar objectivos e soluçoes para o que está mal ao contrario do:
Isto esta´mal...
isto está mal feito...
Socrates é isto...
Socrates é aquilo...
Mas afinal o objectivo é ganhar popularidade entre os eleitores ou fazer a oposição perder a popularidade? É que trabalhar para a desgraça do outro nem sempre abona a favor, pois existe sempre o voto em branco...se é que me entendem...
De afonso cabral a 28 de Julho de 2009 às 12:05
À medida que vou lendo os seus posts , mais o assemelho àqueles colegas de faculdade egocêntricos, armados em donos da verdade, competitivos, pouco solidários, interesseiros, com respostas na ponta da língua, arrogantes, mal criados e que se tornavam incapazes de partilhar apontamentos com receio de que a pila dos outros fosse maior do que a sua.
De Pedro Vale Moreira a 28 de Julho de 2009 às 14:52
Seria possível ao Hugo Mendes rastejar um pouco mais? A atitude é menos degradante se ele estiver a ser pago para aquilo. Duvido. E o desprezo com que JS ouviu o "recado" também é digno de nota.
E depois daquela cena triste tem coragem de vir aqui dizer que o debate político desceu de nível! Haja paciência.
De Pedro a 28 de Julho de 2009 às 14:59
"Ontem, na blogoconferência, fiz a José Sócrates uma pergunta extremamente simples sobre a aplicação do SIADAP em 2008. "
A pergunta até poderia ser simples, mas tu, Tiago, que a complicaste até mais não, isso também é um facto. Tiago toma lá um conselho grátis: prepara as perguntas com antecedência e não as compliques.
De José Barros a 28 de Julho de 2009 às 15:15
1) Antes de mais, a pergunta do Tiago Moreira Ramalho é perfeitamente legítima e espanta que outros bloggers - que o não são verdadeiramente, a partir do momento em que se transformam em ajudantes de um PM em apuros - se dêem a tanto trabalho para desqualificar a questão e quem a colocou. A confirmar-se o que Tiago Moreira Ramalho diz, o Hugo Mendes também fica muito mal na fotografia. Como blogger, não como assessor de momento do PM, evidentemente.
2) Ao ver - só agora - os vídeos da sessão verifico que as perguntas dos poucos blogues de oposição presentes são perguntas relativamente inóquas para o PM. Não se lhe perguntou do negócio dos contentores, do aumento dos limites quantitativos do ajuste directo, da fundação fantasma das telecomunicações, dos números astronómicos da dívida pública, das perspectivas sombrias do crescimento do PIB avançadas pela OCDE, do aumento dos impostos, só para mencionar algumas políticas que poderiam ser mais incómodas para o PM.
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