O problema do conhecimento
Os Portugueses, esta noite, ficaram a conhecer melhor duas pessoas, dois políticos. Dois caracteres. Que se revelam melhor precisamente com o contraste diante de si.
De um lado, alguém que parece não pensar, que, na verdade, não conversa nem discute - não argumenta: limita-se a sacar de chavões, estribilhos, frases de outdoor, que fala como num comício e sempre com uma fluência de autómato. Parece ter um catálogo de expressões decoradas que vai disparando respectivamente para os temas A, B, C... Pior do que isso: tenta deturpar e descontextualizar o que os outros dizem (já resultou noutro debate, neste não).
Do outro lado, alguém que podemos ver a pensar à nossa frente. Não repete nem reproduz frases. Produ-las. Procura falar dos problemas sem recusar toda a sua superfície angulosa e áspera - assume-a no discurso e no argumento. Transporta para o seu discurso a própria dificuldade das coisas. Nesse sentido, as pessoas vêem ali um discurso verdadeiro.
O engenheiro Sócrates tem um problema: quanto mais se mascara falando de cor, mais se revela como é. Duvido que as pessoas gostem de ver isso.
