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Jamais

Jamais

31
Ago09

Há duas opções distintas

Nuno Gouveia

um país normal, por Rui Albuquerque

 

O que me interessa, e resultou já do seu discurso de apresentação do programa de governo do PSD, foi que, pela primeira vez na história da nossa democracia, se deu uma clarificação e uma divisão de águas entre os dois principais partidos de governo: o PS que defende o Estado Social, e o PSD que põe em causa o Estado Social e o “estatismo asfixiante” que dele resultou. A partir de agora, se o PSD quiser, os cidadãos portugueses poderão claramente escolher entre esquerda e direita para governar o seu país. Acabaram-se as águas turvas e as meias-tintas do costume. As pessoas passaram a saber que o Estado Social não é o único caminho. E o Partido Socialista, que estava à espera das conversa habitual do centrão, também já o entendeu. Esse passou a ser, de resto, o seu receio principal.

31
Ago09

Somnium platonis

Carlos Botelho

"Rede pública de guarda de crianças". Atentem nas palavras do primeiro-ministro.

É assim que ele, na sua cabeça tecnocrática, imagina "ajudar as famílias a ter filhos". Mas que mundo é este que preparam? Ou talvez deva dizer, a que se resignam? Horrível para as crianças, mas também para os pais. Pensem nos horários de trabalho que isto pressupõe. Os filhos são depositados, "guardados" ali, acompanhados por "funcionários". Os pais não chegarão a estar de facto com eles, porque a noite é para dormir e no dia seguinte "entram" cedo. Aqui temos a família que está e que vem.

30
Ago09

De guarda

Carlos Botelho

Ao contrário do que é gritado aqui, Manuela Ferreira Leite nunca disse que o "casamento deve servir apenas para a procriação" ou que "as obras públicas é [são] para dar emprego a cabo-verdianos ou [a] ucranianos". Não foi isso que foi dito. É a mesma história da "proposta" da "suspensão da democracia por seis meses".

Quando se debate com Sócrates, todo o cuidado é pouco - ele não tem qualquer pejo em deturpar o que os adversários dizem para levar a água ao seu moinho.

30
Ago09

O pregador plástico da liberdade de plástico

Carlos Botelho

 

Querem comover-se? Ouçam isto. A "liberdade", a "tolerância", a "modernidade", o "progresso", o "futuro" e tal. Assim, todas as virtudes em cascata. Uma maravilha. Ouve-se isto e não há ultramontano mais empedernido que resista. É só misturar água e sai logo um campeão dos direitos. Ele até parece isso, não é?

E aquele toque final do "mar", do "luar", do "não parar" (porque não disse o verbo em que pensava: "votar"?) dá bem a medida da pirosice de que é capaz. Tem-se troçado de Carolina Patrocínio, mas ela é bem mais autêntica do que o secretário-geral do PS. Num sentido, Sócrates não é falso, porque um mascarado tem uma cara por detrás da máscara que procura esconder a todo o custo. Mas a máscara de Sócrates é, por assim dizer, "sincera", porque não tem nada por detrás. A aparência sempre tão frenética do primeiro-ministro procura mascarar precisamente o seu vazio. Ele está permanentemente a fingir que é alguma coisa. Não sei se Sócrates sabe quem é. Não sei se alguma vez tira a máscara diante do espelho e espreita para o vácuo diante de si. Talvez nem dê por isso.

Ele é apenas aquilo: frases ocas em gritaria esbracejada - sem pingo de consistência. Tanto pode ser uma coisa agora como o seu oposto daqui a dias. Mas sempre, sempre sob os holofotes, com tribunazinhas, figurantes solícitos e produzindo em catadupa anúncios e proclamações disto e daquilo. A realidade fica sempre lá fora, atrás dos cenários portáteis. Ele não a suporta - não só porque lhe estraga a permanente encenação, mas também porque não lhe cabe na sua "mundivisão" (para usar uma palavra que agora descobriu e não se cansa de repetir). Como se pode querer este homem para primeiro-ministro de um país?...

 

 

Todas aquelas proclamações de ontem têm um destinatário claro: o eleitorado (potencial) do Bloco de Esquerda e uma vaga "mentalidade aberta" que se comoveria com aquelas fantasias. Sócrates já tinha conseguido um candidato a deputado, que não se importa de se sujeitar ao papel de troféu de caça, para isco dos votos daquela esquerda. Mas convém sempre reforçar a nota "progressista" em comícios, não vá o "povo" esquecer o "profundo pensamento de esquerda" do secretário-geral.

Contudo, duvido que os votantes do Bloco sejam parvos. Eles sabem bem que a personagem que agora apregoa aos sete ventos a "liberdade" e toda a "tolerância" foi a mesma que os deixou de mãos a abanar com o "casamento do mesmo sexo", apenas esse "princípio" deixou de lhe dar jeito. É a mesma personagem que foi, sim, muitíssimo tolerante com as inúmeras manifestações de autoritarismo que foram pondo a cabecinha de fora pelo país: o caso do prof. Charrua, a exoneração da directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho, a intromissão intimidatória da polícia em actividades sindicais, processos a manifestantes, como aconteceu em Guimarães, as intimidações nas escolas que recusassem a "avaliação" docente, etc. É a mesma personagem que processou vários jornalistas por pretensas "difamações" e fez uso de um discurso intimidatório para orgãos de comunicação social. É a mesma personagem que aceitou e premiou a linguagem insultuosa e espantosamente agressiva de ministros em relação a todas as oposições, a críticas internas, a sindicatos, a simples protestos populares. É a mesma personagem que, diante de cada manifestação desmancha-prazeres, arremessava monotonamente a acusação dos "insultos" e da "maledicência". É o primeiro-ministro que se rodeia de seguranças ajagunçados que abalroam repórteres inoportunos. É o mesmo que, no parlamento, troçava dos deputados nas suas barbas ou usava de um tom acintoso de valentão de feira para com eles: ridicularizava com trejeitos e momices Santana Lopes, Jerónimo de Sousa e Paulo Portas, nos momentos em que o interpelavam; espetava o seu dedo já ridículo para Louçã e repreendia 'Tenha tento na língua!', berrava para Paulo Rangel 'Não seja ridículo!', julgando-se, certamente, tratando com assessores-serviçais de Magalhães sobraçados e não com deputados eleitos. É esta espalhafatosa criatura que agora nos vem acenar com "princípios", com "liberdade" e com "tolerância".

 

30
Ago09

Da série "A frase do dia"

Paulo Marcelo

 

«Os portugueses estão ressentidos por ver desperdiçados grande parte dos sacrifícios que lhes foram pedidos (...) defendo um Estado com menos peso que potencie a iniciativa privada.»

 

Manuela Ferreira Leite, hoje em Castelo de Vide, no discurso de encerramento da Universidade de Verão do PSD

30
Ago09

Transparência nos apoios

Nuno Gouveia

Concentrar num único portal de informação pública os apoios do Estado, discriminados por empresa e por entidade, com os montantes, situação dos processos e datas de tramitação.

in programa eleitoral do PSD 2009

 

 

O Estado disponibiliza todos os anos milhões de euros em apoios a diversas organizações e iniciativas. Mas ninguém parece saber para onde vai esse dinheiro. A transparência da utilização dos fundos públicos deve ser uma prioridade de qualquer governo, e na era da Internet, é inadmissível que essa informação não esteja disponível aos eleitores. Esta proposta do PSD é uma excelente iniciativa, no sentido de dotar de maior transparência a transferência de fundos para os privados.

 

30
Ago09

O casamento homossexual

Miguel Reis Cunha

 

De acordo com o Juiz de Direito, Pedro Vaz Patto, o recente acórdão do Tribunal Constitucional nº 359/09, vem deitar por terra a teoria de que a Constituição tinha já encerrado o assunto a favor dos “casamentos homossexuais”.

De acordo com este jurista, o assunto encontra-se agora nas mãos do legislador.E este, por sua vez, devido à complexidade do tema e à disparidade de opiniões, quando muito, deveria remetê-lo para referendo.

Trata-se, como a questão do aborto, de uma questão de consciência transversal aos eleitores dos vários partidos políticos. Ainda que seja incluída no programa eleitoral de um partido, não pode dizer-se que a generalidade dos eleitores desse partido a sufrague, uma vez que serão normalmente outras questões, que mais preenchem a agenda política, a pesar na sua opção de voto.

Numa matéria de tão grande significado ético, cultural e civilizacional, onde se joga o modelo de referência de família como núcleo social fundamental, onde se pretende alterar um modelo secular, seria inadmissível que uma opção tão relevante fosse tomada em função de estratégias políticas ou modas ideológicas e contra o sentir da maioria do povo, como o vêm revelando várias sondagens. Se é o povo que está supostamente “atrasado”, pois que se aproveite o referendo para o “esclarecer”. Mas que não se decida contra ele.”

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Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.

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