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Jamais

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17
Set09

Ainda sobre o TGV

Jamais

As decisões sobre investimentos devem basear-se em estimativas realistas e procurar atender a todas as facetas do problema. Ouvir só algumas vozes e rejeitar sistematicamente, como se não existissem, aqueles estudos que chegam a resultados negativos para os projectos é meio caminho para tomar decisões erradas. Alguns repetem que «todos» os estudos acerca da construção das linhas de alta-velocidade concluem pela excelência dos projectos, mas a verdade é que há estudos publicados que apontam exactamente no sentido contrário. Nem sequer é verdade que todos os estudos encomendados pela Rave sejam favoráveis à construção dessas linhas.

A principal crítica que, a meu ver, se pode fazer a estes projectos de alta-velocidade é nascerem de um puro voluntarismo, que não responde a uma necessidade actual ou próxima de transporte. Implicam uma despesa enorme na fase de construção e têm um custo de manutenção desproporcionado, impossível de cobrir mediante a venda de transporte. Por outras palavras, o conjunto dos contribuintes vai suportar, indefinidamente, os custos destas linhas, enquanto não forem desactivadas. E, mesmo de serem desactivadas, o País continuará a ter de pagar impostos por causa delas.

É um encargo muito injusto para com as gerações futuras, porque a própria fase de construção não vai ser paga pelo actual Governo nem pelo próximo, mas vai ser deixada como dívida às gerações futuras. Estas não vão apenas gastar quantias avultadas todos os anos, para as linhas continuarem em operação: mesmo que decidam fechar as linhas, para poupar dinheiro, vão ter de pagar os encargos que o País vai contrair agora. Se os concursos para a construção das linhas forem ganhos por consórcios portugueses, a curto prazo a adjudicação dá lucro a essas empresas. Mas o que o Estado dá hoje a ganhar a essas empresas está a cobrá-lo às gerações futuras.

Há muitas necessidades reais de transporte em Portugal e é aí que vale a pena investir. Só os projectos que respondem às necessidades reais das populações têm possibilidade de conseguir passageiros e de ser economicamente rentáveis.

 

José Maria André, autor deste texto escrito para o Jamais, é Professor no Instituto Superior Técnico e autor do livro Transporte Interurbano em Portugal

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Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.

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