O jornalismo tendencioso do Diário de Notícias
A manchete de hoje do Diário de Notícias é um exemplo do jornalismo tendencioso que este diário tem vindo a praticar nos últimos meses. A notícia conta que um assessor do Presidente da República, Fernando Lima, terá sido a fonte do jornal Público nas notícias publicadas sobre as suspeitas de que membros da Casa Civil do PR estariam a ser “espiados” por um assessor do Primeiro-Ministro. O DN publica uma alegada mensagem de correio electrónico entre dois jornalistas do Público. Como terá chegado este mail "interno" ao conhecimento do DN? Justifica-se a divulgação de uma fonte de um outro jornalista?
Mas o mais relevante é que DN não se preocupa em investigar ou informar sobre se, na realidade, houve ou não "espionagem" política por parte do Gabinete de José Sócrates. Este ponto, de enorme gravidade para a democracia, não parece interessar o DN. Toda a notícia é construída como se o relevante fosse o "mensageiro" das pistas para a notícia e não a notícia em si, ou seja, a realidade dos factos. A primeira página do jornal apresenta Fernando Lima como culpado. Repare-se na fotografia em fundo preto. A manchete fala do tema como se este tivesse sido fabricado (o DN usa o termo “encomendado”) na Presidência da República, sem colocar sequer a hipótese de haver fundamento real para tais suspeitas. A isto eu chamo jornalismo tendencioso. Não será por acaso que surge a uma semana das eleições.
