Domingo, 20 de Setembro de 2009
publicado por Tiago Moreira Ramalho em 20 Set 2009, às 11:11

Este pequeno «panfleto» do Luis Novaes Tito, apesar de servir o seu propósito, isto é, campanha eleitoral; é profundamente infeliz por pura e simplesmente inventar antagonismos inexistentes. Se é certo que alguns elementos do PSD contestam a lei da IVG (com os quais concordo, diga-se), é de todo errado afirmar que o PSD é contra o SNS, que quer proibir o divórcio, que defende que a família tem como único objectivo a procriação. Isto é falso, falso, falso. O Luis sabe isso. O PS sabe isso. O problema, infelizmente, é que nesta fase e neste tempo, já vale tudo.

 

Adenda: Rejeitei um comentário que, apesar de assinado, era insultuoso para com o LNT a quem, apesar da discordância, respeito. O comentador, se assim o entender, volte a tentar (mas com modos).


10 comentários:
De LNT a 20 de Setembro de 2009 às 14:49
Caro Tiago
O que é verdadeiramente falso é o Tiago dizer que atribui esses antagonismos ao PSD.
Refiro-me unica e exclusivamente a Manuela Ferreira Leite e faço-o para concluir, como poderá ler no tal "panfleto", que:
"tal como Manuel Alegre, não tenho dúvidas e sem qualquer hesitação escolho José Sócrates e para o fazer votarei no Partido Socialista."
Isto é completamente diferente daquilo que o Tiago escreve neste Post.
Abraço


De Tiago Moreira Ramalho a 20 de Setembro de 2009 às 15:03
Luís,

Quando diz que dia 27 há a escolha entre uma coisa a outra, é isso mesmo que está a dizer. Para si, quem votar no PSD vai estar a votar naqueles aspectos. Ora, ambos sabemos que as coisas não funcionam assim. Mesmo que a líder pense assim (ela é divorciada, não sei se se lembra), ela não é a única a pensar ali e a sua vontade não é lei.

Ao colocar as coisas nos termos em que colocou, independentemente da sua intenção, está a passar a mensagem que votar no PSD é votar em gente que é contra o divórcio, contra o SNS, gente que tem uma visão limitada da família, etc.

Quanto ao título, não é só para si. É para o clima que se vive. A campanha está a ficar doentia: todos inventam perfeitas mentiras para manipular as pessoas e alimentar medos tolos (os discursos de José Sócrates, ao acusar os outros de quererem desmantelar o Estado Social, o SNS, a Escola Pública e privatizar a Seg. Social é isso mesmo). Já que eles passam tanto tempo a passar desinformação, penso que pelo menos nós podemos manter o debate mais «rigoroso».

Um abraço,

Tiago


De LNT a 20 de Setembro de 2009 às 14:51
Já agora se me permite, olhando o título do Post:
Não vale tudo.
Para mim nunca valeu tudo, como sabe.


De FH a 20 de Setembro de 2009 às 15:18
Peço desculpa, mas pelo post que escreveu, parece que vale tudo.

Porque o que lá escreve é mentira. Principalmente o que diz acerca do SNS e da sua , que se tornou num argumento que de tantas vezes repetido por Sócrates, passou a verdade. Quando nem sequer consta no programa do PSD - e que a líder sublinhou, que se não constava era porque não era para ser "mexido".
Ou acerca do divórcio...como é que pode dizer que este PSD é contra o divórcio? Onde é que isso está escrito?

Se faltar à verdade não é fazer valer tudo...então já estou como a Judite de Sousa, o problema de Manuela Ferreira Leite é ser autêntica, ou como o DN, em que MFL SÓ ganha a Sócrates na seriedade...é pena.


De António da Costa a 20 de Setembro de 2009 às 18:07
Peço desculpa mas é verdade, aquilo que MFL disse e que está inscrito no vosso programa minimalista vai acabar com o pouco que já existe de SNS, ninguém acusa o PSD de ir acabar com o SNS mas sim continuar a acabar com o SNS, o ataque ao SNS começou vai para mais de 20 anos pela mão de Cavaco Silva/Leonor Beleza.

Cumprimentos e até dia 27 às 19,01H


De Mário Cruz a 20 de Setembro de 2009 às 19:35
Com essa referência a Leonor Beleza deve estar a lembrar-se do elogio que o Ministro PS da Saúde, Correia de Campos, lhe fez o ano passado. Na realidade Correia de Campos disse mesmo, em concreto, que o que estava a fazer era na continuação da política de Leonor Beleza. Certo?


De António da Costa a 21 de Setembro de 2009 às 10:58
Isso mesmo, Correia de Campos continuou o trabalho feito por Leonor Beleza, acabar com o SNS.

Os ataques ao SNS são constantes quer por governos do PSD quer do PS.


De Carlos Santos a 20 de Setembro de 2009 às 18:53
Na página 14 do programa do PSD sugere-se explicitamente avaliar e corrigir a nova lei que pôs fim ao divórcio litigioso. Em casos como violência doméstica. A intenção de rever essa lei é coerente com uma concepção de família "vocacionada para ter filhos" como reiterou Manuela Ferreira Leite no debate com Francisco Louçã. A unidade orgânica social que MFL vê na família não se pode sobrepor ao interesse da vítima de violência. E o interesse desta só é precavido se lhe puder ser concedido o divórcio sem mútuo acordo.
O intuito da página 14 do PSD, em conjugação com o que MFL tem dito sobre o tema, e em articulação com a posição de Cavaco Silva perfiguram um retrocesso social.
Respondi a isto no blogue do lado.
Carlos Santos


De Joaquim Amado Lopes a 20 de Setembro de 2009 às 20:32
O comentário a que o Tiago se refere na adenda é meu. Não me recordo dos termos exactos que usei mas, se foram tão fortes que o comentário devesse ser rejeitado, o meu pedido de desculpas.
No entanto, não posso de forma alguma chegar ao ponto de subscrever "o LNT a quem, apesar da discordância, respeito".

As eleições não são uma competição desportiva, são uma escolha.
Quando cada partido/coligação formula as suas propostas, não faz um apanhado das ideias mais populares e que poderão valer mais votos. Cada partido/coligação parte do seu ideal de sociedade e define um caminho para o atingir. Depois, procura mostrar ao maior número de pessoas que as suas são as melhores propostas para o País. Naturalmente que, indo vários projectos a votos, a comparação de cada um deles com os outros é uma forma de pôr a nú as fraquezas de umas propostas e a força das outras.
Terminado o sufrágio, ganha o projecto que os eleitores escolherem. Isso não indica que os outros projectos eram piores, simplesmente que apontavam caminhos que menos eleitores quererão seguir.
Podemos não gostar do caminho que os eleitores escolherem mas democracia é isso mesmo. Ninguém está errado por estar em minoria. E ninguém pode dizer que tinha razão apenas porque o partido que apoia ganhou as eleições.

No rescaldo, cada partido não tem que avaliar se, à luz dos resultados, as suas propostas eram boas ou más. Tem apenas que avaliar se as apresentou da melhor forma, respeitando (a inteligência d)os eleitores e os outros partidos. O resultado é (ou deve ser) irrelevante para essa análise embora quem ganha raramente sinta necessidade de a fazer.

Um dos problemas que surgem nas campanhas deriva de algumas (muitas?) pessoas encararem as eleições como uma competição em que o que interessa é ganhar. Quando é assim, as propostas de cada partido deixam de interessar e apenas interessa levar o maior número possível de eleitores a não votar nos "outros" e votar em "nós", mesmo que não concordem com aquilo que "nós" propomos. Mesmo que seja necessário colar aos "outros" ideias que sabemos que eles não têem mas que os eleitores rejeitarão.
Mesmo que seja necessário mentir.

Quem tem esse tipo de atitude, quem está disposto a recorrer à mentira para ganhar alguns votos, não respeita os adversários políticos, não respeita os eleitores e, consequentemente, não respeita a democracia. E, por isso, não merece respeito.
Não se trata de concordar ou deixar de concordar. Não se trata de aceitar ideias diferentes. Trata-se de aceitar ou recusar comportamentos inaceitáveis em democracia.

Manuela Ferreira Leite nunca disse que o único fim a procriação. Mas destacou a procriação como muito importante na definição de família e aceita-se que alguns possam tentar explorar até onde essa ideia pode ser levada.
O Carlos Santos refere que o PSD se propõe "avaliar e corrigir a nova lei que pôs fim ao divórcio litigioso". O que está escrito no Programa é "Daremos prioridade à avaliação das consequências do novo regime do divórcio, com o objectivo de nele introduzir as correcções que se revelem necessárias." Nem com a maior das más-vontades isto significa acabar com o direito ao divórcio que, por acaso, já existia antes de o novo regime ser promulgado.
Em lugar algum do Programa Eleitoral do PSD se fala em revogar a Lei do Aborto. E, mesmo que o PSD defenda que essa Lei deve ser revogada (que devia), ninguém propôs que tal fosse feito sem novo referendo, pelo menos nos aspectos que foram a referendo.
Em lugar algum do Programa Eleitoral do PSD se fala em acabar com o Serviço Nacional de Saúde. Na realidade, o Programa aponta para uma maior responsabilização do Estado relativamente ao acesso aos cuidados de saúde necessários, permitindo aos utentes o acesso a esses cuidados mesmo quando o SNS não pode responder.

O Luis Novaes Titto recorreu à mentira pura e descarada. E fê-lo durante uma campanha eleitoral para assustar eleitores que votariam no PSD colando a este partido intenções que sabe que não tem.
Não conheço a pessoa mas nós também somos o que fazemos e, por isso, no único aspecto que importa para mim (o único que lhe conheço) o Luis Novaes Titto não merece respeito.


De Núncio a 21 de Setembro de 2009 às 00:27
Tirando as considerações mais pessoais, que não vou comentar, subscrevo inteiramente a opinião de Joaquim Amado Lopes, que não conheço de parte nenhuma (a título de declaração de interesse).
Efectivamente, uma campanha eleitoral e umas eleições democráticas não são nenhum Benfica-Sporting nem a batalha de uma guerra.
Os eleitores fazem escolhas e os seus representantes defenderão, durante a legislatura, as escolhas programáticas sufragadas.
Não há bons nem maus programas (a menos que contenham aspectos ilegais ou inconstitucionais). Há modelos, soluções, propostas, caminhos. É por isso que, ciclicamente, ocorre a alternância.
Contudo, o exercício do poder tornou-se em mais do que um serviço público, na defesa do interesse nacional. Só assim se compreende o desespero na "hora da verdade".


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Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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