Sábado, 1 de Agosto de 2009
publicado por Tiago Moreira Ramalho em 01 Ago 2009, às 17:48
O PSD prepara-se para apresentar o seu programa eleitoral em Setembro. Parece-me absurdo sob dois pontos de vista.
Em primeiro lugar é péssimo para a própria estratégia da campanha. Enquanto o programa do Partido Socialista ou do Bloco de Esquerda, por exemplo, estão já a ser escrutinados e analisadas, adivinhando-se que sejam esquecidos os pormenores tolos muito antes das eleições; o programa do Partido Social Democrata será apresentado e escrutinado em cima do acto eleitoral. Está-se mesmo a ver que as medidas tolas que certamente lá constarão – não há programas perfeitos – vão ser gritadas pelos socialistas até ao dia de reflexão. Estrategicamente é um erro descomunal.
Em segundo lugar, é péssimo para a imagem que é passada para os cidadãos. Numa altura em que o PSD se aproxima muito do PS seria imperativo que se dissesse claramente o que vai ser feito, para além de algumas linhas orientadoras e propostas avulsas. Apresentar um programa eleitoral a pouco mais de três semanas das eleições é pedir aos eleitores que façam algo bastante complicado. Principalmente os eleitores ainda indecisos.
O argumento das férias não colhe e tenho de admitir que nesta matéria a direcção do PSD não está a fazer bem. Seria muito salutar que houvesse uma qualquer mudança estratégica e o programa fosse apresentado ainda este mês.
Gosto desta diversidade de opiniões sobre o assunto.
O José Gomes André, mais abaixo defende exactamente o contrário.
Não usando o argumento que o José Gomes André usou, pareceu-me muito pobre, este atraso obriga o PS a apresentar ideias, muitas delas já de outras lutas e que nunca forma colocadas em prática, não podendo desviar as atenções batendo no PSD.
Bastou ver a apresentação do programa do PS, que foi dedicado a criticar o PSD.
Nota-se no PS a procura de algo que distraia o cidadão do deserto de ideias onde vive.
Não lhe chegou a precipitação na blogoconferência, Tiago? Pensei que tivesse aprendido alguma coisa com o fiasco. Vá com calma homem. Sei que você é jovem, mas olhe que pode ter mais do que manhãs triunfantes.
De José Barros a 1 de Agosto de 2009 às 19:42
Discordo.
Acho mesmo que se o PSD quer que o seu programa seja conhecido - e estou a falar de 4 ou 5 medidas estruturais segundo uma estratégia comum, porque é disso que se trata e não de um conjunto avulso de centnenas de promessas - então convém que o apresente só em princípios de Setembro para que a mensagem não seja esquecida entretanto pelos eleitores.
Manuela Ferreira Leite tem de insistir em 4 ou 5 cinco ideias fundamentais, porque é isso que os eleitores vão levar para a cabine de voto. E há toda a vantagem que essas ideias não sejam esquecidas entre banhos de mar durante as férias, pelo que fez bem a líder do PSD em adiar a apresentação para o princípio de Setembro.
Portanto, só vejo vantagens:
1) o programa do PS, como diz o João Gonçalves, é um copy-paste do de 2005;
2) o programa do PS tem 160 páginas, o que o torna impossível de ler, mesmo para os mais apaniguados.
3) o programa do PSD será curto, pelo que mais fácil de divulgar e de ser lido.
4) será apresentado numa altura em que as pessoas realmente estarão interessadas em ouvir o que a líder do PSD tem a dizer, o que não aconteceu agora com a apresentação do programa do PS.
De
Núncio a 1 de Agosto de 2009 às 23:50
Mais do que programas eleitorais (que são tanto mais credíveis quanto mais simples e legíveis forem), a situação política, moral e cívica é de tal forma pantanosa que os eleitores esperam um discurso de coerência ética e de responsabilidade social.
Certo certo é que o PS no governo acabou por propor muito do que estava no programa que apresentou à 4 anos. E na minha perspectiva isso é positivo para os portugueses e para a nossa democracia. Veja-se a avaliação e no outro sentido o casamento dos homossexuais.
Neste contexto não consigo perceber o que se andou a fazer estes 4 anos.
O objectivo é o PSD da abertura das televisões ou o PSD das corporações. É para combater a corrupção e tornar o mercado mais justo e mais aberto ou para continuar com os Dias Loureiros e BPNs.
A avaliação e a ASAE são bons exemplos que favorecem o mercado pela abertura e pela transparência. Não haveria capacidade para entretanto mudar a agenda e agora estar a focar-se noutros assuntos como a abertura da saúde ou da educação? Porque é que isto se arrastou até agora?
Chegar ao poder, para quê?
De A. Pinto Pais a 2 de Agosto de 2009 às 18:06
Um erro descomunal é este post.
Não me parece que tão evidente colagem à estratégia do PS tenha cabimento neste blog.
Está a repetir-se o que se verificou nas eleições europeias - com o "êxito" socialista que se conhece.
Fico à espera da opinião do Tiago na noite de 27 do mês que vem.
De Mário Cruz a 3 de Agosto de 2009 às 13:11
Ai Tiago, Tiago!! Os portugueses, primeiro que tudo, têm de escrutinar o governo que acaba agora um mandato de 4 anos e meio.
Depois, como ficou provado nas europeias, não são os timings do PS ou da imprensa, que devem subordinar as nossas orientações.
Teremos com toda a certeza um bom plano mas nunca foram os planos, só por si, que deram a vitória em eleições, neste ou em qualquer país.
Um abraço.
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