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Jamais

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02
Ago09

O TGV e as viagens de negócios

Jamais

O objectivo deste texto é o de dar um contributo para o debate acerca do TGV Lisboa-Madrid. Como é óbvio, não procurarei esgotar o tema em 4/5 parágrafos (nem seria capaz de o fazer). Gostaria sim, de chamar a atenção para uma tendência que se observa no mundo empresarial e que tem um enorme impacto no número de potenciais passageiros da rede de alta-velocidade: o declínio no número de viagens de negócios.

 

Os números não enganam: o número de passageiros que viajaram em business ou first class no primeiro semestre de 2009 diminui 17% em todo o mundo e as respectivas receitas caíram 20% (fruto de agressivas campanhas comerciais) face a igual período de 2008.

 

Alguns poderão argumentar que se trata apenas dos efeitos da actual crise e que dentro de alguns meses esta tendência inverter-se-á. Infelizmente as empresas não estão de acordo. Multinacionais como a Procter & Gamble, a HP ou a Cisco incentivam os seus funcionários a que aproveitam cada vez mais as vantagens dos avanços tecnológicos como, por exemplo, a video-conferência ou a "tele-presença".

 

Estamos, de facto, perante um declínio estrutural no número de viagens de negócios. Este artigo da The Economist vem ajudar a dar razão a todos os que consideram o investimento no TGV Lisboa-Madrid como incerto no que diz respeito à sua rentabilidade, quer económica, quer social.

 

Como é óbvio não é razoável esperar que em 2030, o número de passageiros diários entre Lisboa e Madrid seja de 24.500, ou seja, apenas 600% acima do tráfego aéreo registado entre as duas capitais no primeiro quadrimestre de 2009...

 

E também não é razoável esperar que o tráfego Lisboa-Madrid equivala a 83% do tráfego diário Lisboa-Porto. Convenhamos que, apesar de tudo, o eixo Lisboa-Porto está "ligeiramente" mais integrado do que o Lisboa-Madrid...

 

Sim, já sei que há que ter em conta factores não directamente mensuráveis como, por exemplo, o custo da não existência deste eixo ferroviário de alta velocidade. Mas se estes factores sociais, políticos e económicos não directamente mensuráveis, poderiam servir de justificação para este investimento, o mínimo que podemos pedir é que o PS não nos inunde com projecções irrealistas relativas aos factores que o são directamente.

 

Pelo que me apercebo já faltou mais para que Sócrates, Lellos, Linos, Silveiras e companhia, venham acusar de "forças de bloqueio" quem defenda que é duvidosa a possibilidade de integrar o novo Porto de Lisboa com o TGV, no sentido de fomentar o transporte marítimo de mercadorias entre São Bento e La Moncloa...

 

João Pedro Neto, co-autor do blogue Grupo da Boavista.

 

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Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.

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