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Jamais

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04
Ago09

As listas do regime

João Gonçalves

Depois de tanto derrame sobre listas de deputados, o realismo manda que se diga que as mesmas não interessam para nada. O Parlamento é, de longe, o órgão eleito mais desprestigiado do regime. São os próprios deputados - pelas suas renúncias, pelas suas faltas, pelo seu desprezo pela função, pela manifesta ignorância - os primeiros a não dar o exemplo. Salvo raras excepções, um deputado português é alguém escolhido pelo respectivo líder partidário para se sentar ou levantar quando o líder o mandar sentar ou levantar. Muitos passam pela legislatura sem abrir a boca, sem uma intervenção escrita, sem um propósito declarado, sem, em suma, cabeça. São colocados neste ou naquele círculo eleitoral, não porque tenham algo a ver com o mesmo, mas porque o líder e o partido assim o entendem. Agora que toda a gente está de olho nas listas da dra. Manuela, convinha perguntar às Federações do PS se estão contentes com as listas que o admirável líder impôs. Reina, aliás, sobre as listas do PS um comprometedor silêncio enquanto que, ainda Manuela não revelou as suas, já anda a ser amplamente zurzida pelos papagaios do costume. A 27 de Setembro ninguém vai querer saber de cabeças, de corpos ou de rabos de listas para nada. O Parlamento transformou-se num monumento que o regime ergueu à insignificância. A 27 de Setembro, aqueles que se arrastarem até às cabines de voto, só devem pensar no seguinte. Estamos melhor do que estávamos da última vez que votámos para eleger as senhoras e os senhores deputados da nação? E alguém, dos que os mandam sentar e levantar, merece alguma maioria absoluta? Ou, no limite, um voto?

 

(tambémaqui)

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Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.

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