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Jamais

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08
Ago09

A geração Perdida

Jamais

Nas próximas eleições, mais do que “conjunto de lugares comuns” ou respostas binárias sobre projectos em concreto, o PSD deverá assumir-se como o protagonista de um verdadeiro plano nacional de transformação do aparelho do Estado, para que Portugal possa proporcionar uma solução para as novas gerações. 

 

De facto, o país encontra-se numa grave crise interna, que é, em certa medida, muito mais grave que a actual crise externa conjuntural: a geração “Premium” (à volta dos 30 anos) e a geração que lhe segue (por volta dos 20), estão, em certa medida, condenadas a um retrocesso das condições de vida que é, a longo prazo, castrador da própria existência de Portugal enquanto país “europeu”.  

 

Se o Estado continuar a ser o protagonista de uma dívida pública imensa, de ser o “problem-solver” da economia através da injecção de mais e mais dinheiro, insistir na subsídio-dependência de alguns sectores da população activa, temo que o que poderá acontecer quando esta geração (a que chamei “Premium”, pois é a geração, em teoria, mais qualificada em número e qualidade de graus académicos) der o salto para o escalão etário onde as carreiras costumam chegar ao topo, estará tão atolada de dívidas e problemas sociais que, com a facilidade de mobilidade que existe (é mais barato ir de avião a Londres ou Praga que será ir a Madrid de TGV), só terá um caminho: a emigração.  

 

E se fosse essa a única solução que o Estado dá, ficaremos com os dessa geração que não puderam ou não conseguiram ter o tal valor acrescentado. E a nossa economia passará definitivamente a ser a dos “empregados de café” da Europa – porque uma economia sem elites é uma economia fracassada.  

 

Nesse cenário, duvido muito os contribuintes alemães ou suecos continuem a aceitar subsidiar a nossa continuada estadia entre os Europeus.  

 

Portugal pode mudar de paradigma. Mas alguém vai ter de explicar muito claramente que teremos de ter um melhor Estado – não precisa de necessariamente ser mais pequeno nas funções sociais, precisa é de deixar a Economia a cargo das pessoas.  

 

João Leite Alves

3 comentários

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    Carlos Cidrais 09.08.2009

    Caro Joao Leite Alves,

    Com todo o respeito, querer eu tambem queria muita coisa. A minha pergunta foi em concreto, o que e que voce ouviu da boca de dirigentes do PSD que o levaram a pensar que os problemas que expos seria resolvido, ou seja que medidas concretas e que voce ouviu de um/a dirigente no sentido de resolver os problemas que voce tao claramente enunciou. A julgar pela sua resposta, nada. Resumiu-se a enunciar o que voce gostava que fosse feito. Eu tambem podia passar aqui a tarde a enumerar medidas que eu gostaria que fossem feitas mas o impacto da minha opiniao e provavelmente o mesmo que a sua: pouco ou nenhum.

    Alias , acrescento que nao ouvi ainda ( coma excepcao do bloco de esquerda ), qualquer dirigente partidario sequer reconhecer a existencia dos problemas que voce referiu, entre os jovens licenciados.

    Por outro lado, dos amigos da minha idade que deixei em Portugal, os unicos que obtem rendimentos condignos sao precisamente os que se encontram a trabalhar no sector publico, seja eles magistrados, engenheiros ou medicos.

    O sector privado, esse grande motor economico, esta anemico, agarrado a praticas como recibos verdes, os estagios profissionais ( findos so quais despedem o colaborador para contratar mais um estagiario ), fracas perspectivas de progressao na carreira, indiferenca em relacao as qualificacoes academicas, salarios tao baixos que ha quem trabalhe todo o mes e nao tenha dinheiro para pagar as despesas - e garanto lhe a culpa nao e apenas do Estado, mas de muitos agentes privados, agarrados a mas pratica de gestao.

    Ha muitas coisas de que tambem me envergonho no funcionamento das instituicoes e no comportamento dos reponsaveis e reconheco que inexoravelmente nos afastaremos do padrao europeu. No entanto, aquilo que desejava ver, nao consigo ver ainda - lideres com ideias claras e solucoes concretas.

    Aguardo com expectativa que neste blog e na comunicacao social se deixem de trocar galhardetes, e passem a discutir o que planeiam fazer. Como eleitor, agradeco qualquer esclarecimento que me possam dar e que ainda nao obtive.

    Como ja disse, so preciso de uma desculpa, passe a expressao para votar PSD, ao inves de me optar por me abster o que se afigura cada vez mais provavel - e nem peco muito, apenas ideias expressas coerentemente, que me permitam depositar o voto em confianca.

    Ate la, ca aguardo.

    Cumprimentos,
    Carlos Cidrais
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    Carlos Cidrais 09.08.2009

    Relendo o que escrevi, particularmente " Qual a cura ( ou curas ) que voce esta a propor, ou melhor o que vislumbra, no PSD que apoia? " entendo que me possa ter expresso mal.

    O que realmente pretendo e descobrir de que forma e que voce ve no PSD actual, que se pretende apoiar, uma tomada de posicao em relacao aos problemas de emprego de qualidade para jovens licenciados (e nao so).

    Para mim ha uma linha causal muito tenue, entre o desmantelamento do Estado social que voce parece propor e uma activacao da economia.

    Ainda mais estranho se torna para mim que voce se reveja no PSD actual, porque das poucas posicoes publicas de Manuela Ferreira Leite, esta ja rejeitou impetos liberais e pretende uma maior eficiencia ( e nao um desmantelamento ) do Estado social.

    Obvio que tudo isto esta a um milhao de quilometros do auto-engano do PS e especialmente do Governo-PS, da qual apenas recordo a citacao de Mariano Gago, em que "no prazo de um ano apos a conclusao da licenciatura, na ha licenciados desempregados ".

    Mas a verdade e que nao vi ainda da parte do PSD um reconhecimento de que o tema e um problema na agenda politica, quanto mais uma tomada de posicao.

    Cumprimentos.
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    Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.

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