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Jamais

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14
Ago09

Exigência ética na vida política (2)

Paulo Marcelo

 

Tendo escrito isto e isto, e sendo este blogue um espaço de frontalidade e de liberdade, não posso deixar de manifestar a minha discordância com a inclusão de António Preto nas listas de candidatos do PSD à Assembleia da República. Escrevo isto com tristeza, mas também com a legitimidade de nunca ter votado favoravelmente a essa decisão nos órgãos partidários que integro.

 

António Preto é acusado de fraude fiscal qualificada e falsificação de documento, com julgamento marcado para 27 de Outubro, nas varas criminais de Lisboa. Em causa estão 150 mil euros que o advogado lisboeta alegadamente recebeu, em 2002, em envelopes e malas, de dois empresários de construção civil. O cidadão António Preto tem todo o direito a presumir-se inocente até ao trânsito em julgado da decisão judicial. O que pode demorar anos, em recursos sucessivos. Mas o político António Preto não tem condições para se apresentar como candidato a deputado, nem o PSD devia aceitar a sua candidatura.
 

Esta posição nada tem de judicialismo e muito menos de moralismo. Não decorre do facto de AP ter sido constituído arguido. Como aqui defendi a propósito de uma outra situação. Tenho esta opinião porque entendo que os partidos políticos devem fazer uma avaliação política, sublinho uma avaliação política, daqueles que apresentam nas suas listas como candidatos ao exercício de cargos políticos. Ora os comportamentos de que António Preto é acusado, que foram considerados relevantes e sólidos na acusação do Ministério Publico, são suficientemente reveladores das caracteríscticas de António Preto enquanto político. Apesar de não terem sido cometidos no exercício de cargos públicos, mostram desrespeito pela Lei e pelo Estado, bem como violações graves de deveres de deontologia profissional. António Preto não tem, nem terá no futuro próximo, condições pessoais e políticas para exercer com dignidade o mandato de deputado, prestigiando os eleitores que o elegeram e a própria instituição parlamentar.

7 comentários

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Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.

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