Quanto ao que “está por trás”, que tanto indignou o Ministro do Trabalho? O que “está por trás”? Não é preciso insinuar nada, basta dizer: o que “está por trás” é uma maneira de governar que leva para dentro dos gabinetes tudo o que é negócio, é uma maneira de governar que privilegia o ajuste directo ao concurso público, é uma maneira de governar que, dentro dessa discricionariedade, premeia os obedientes e os amigos e pune os que não se dobram.
Os casos referidos por Aguiar Branco, todos eles tendo suscitado perguntas e esclarecimentos, até agora por responder, quer por parte do Tribunal de Contas, quer da opinião pública, quer de todos os partidos da oposição - “os contratos dos contentores de Alcântara, (…) o financiamento dos computadores Magalhães, (…) a Fundação das Telecomunicações para as Redes Móveis”, caem sob esta alçada e são exemplares de uma maneira, chamemos-lhe assim, muito “desenvolta” de governar face à lei.
O que “está por trás” é a crescente invasão do Estado, a pretexto da “crise”, na esfera da economia privada, destruindo a escassa autonomia que se tinha conseguido conquistar na sociedade portuguesa e é a utilização do poder político para reforçar o controlo do governo e do PS sobre tudo o que lhe escapa. É o caso do “do que estaria por detrás do negócio da TVI”, sobre o qual o Primeiro-Ministro mentiu no Parlamento.
E o que “está por trás” é esta regra estrutural: mais discricionariedade, mais corrupção. Ou uma sua variante: menos controlo público (tribunais, parlamento), mais corrupção.
Não penso que estas questões devam ser o centro da campanha eleitoral por si só, embora elas comuniquem com muito do que está errado na actual governação. Mas recuso qualquer inibição para discuti-las, tanto mais que elas fazem parte daquilo que o PS, a abarrotar de promessas todos os dias, não quer discutir: o balanço deste governo e deste Primeiro-Ministro, José Sócrates.
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