Segunda-feira, 17 de Agosto de 2009
publicado por Miguel Reis Cunha em 17 Ago 2009, às 23:03

O episódio do insulto do João Galamba ao nosso João Gonçalves merece uma reflexão mais profunda sobre a forma como a esquerda dita “moderna” encara a liberdade de expressão.
Sabemos que, na blogosfera, há como que um código de conduta tacitamente aceite por todos que permite pisar um pouco mais o risco dos limites da liberdade de expressão. Mas, também é habitual ver, sobretudo na blogosfera, em matérias como a interrupção voluntária da gravidez, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a apologia da homossexualidade, etc.. as pessoas ditas de “esquerda” desatarem a injuriar e a insultar a parte contrária.
A situação é irónica já que, há umas dezenas de anos atrás, era a esquerda que se dizia defensora da liberdade de expressão e fazia a apologia da diversidade de opiniões, defendendo com unhas e dentes as virtudes do relativismo ético. Agora, é a esquerda que se afirma detentora da verdade “moderna” e a todos os que se opõem aos seus dogmas só resta uma de duas alternativas: ou se submetem ou acabam insultados e achincalhados. Assim, quem é contra o casamento homossexual é homofóbico; quem é a favor da defesa da verdade é salazarista; etc, etc..E isto a nível global, desde a Dinamarca, com as famosas caricaturas de Maomé, passando pela vergonhosa campanha promovida pelos media nos EUA contra a candidata Sarah Palin ou a reacção insultuosa do crítico gay Perez Hilton contra o conceito de casamento da Miss California e tantos outros exemplos que poderia aqui dar.
Nesta última polémica, a questão é particularmente sintomática se levarmos em consideração que um dos intervenientes, além das suas responsabilidades como professor universitário, tem também responsabilidades como candidato a futuro deputado da nação. E, neste particular, não podemos esquecer o deplorável espectáculo que, nesta última legislatura, muitos deputados e o próprio Primeiro-Ministro deram e que não convinha repetir.
Respeito, decoro e, já agora, um pouco mais de relativismo se faz favor !
 


14 comentários:
De NP a 17 de Agosto de 2009 às 23:46
Blá blá blá... Farto dessa conversa de insultos, parecem todos uma cambada de miúdos de escola em fente a uma professora a dizerem que a culpa é do outro, que não foram vocês quem começou, etc.

Agora o que interessa: vi que Pacheco Pereira acabou de lançar aqui três postas bem jeitosas.

Uma vez que não encontro o link para comentar, como posso fazê-lo?

Responda quem de direito.


De james a 17 de Agosto de 2009 às 23:52
Começou no episódio João Gonçalves, mas rapidamente fez-se-lhe uma branca sobre o teor de variadíssimos posts do dito, em que, sob a capa de uma pseudo-mordacidade , produziu posts verdadeiramente ofensivos sobre personalidades públicas, num estilo tão truculento e de baixo nível, só semelhante ao de Alberto João Jardim.


De João Gonçalves a 18 de Agosto de 2009 às 00:05
Este cobardolas deste "James" também andou pelo P dos P. E anda pelos blogues colectivos do costume a dizer o mesmo há muito tempo. Não se lhe deve dar trela.


De bicodegas a 18 de Agosto de 2009 às 01:00
Num post do Miguel sobre a (suposta) falta de poder de encaixe da esquerda alcunhada de moderna, aparece o João, homem da direita, a repreender a liberdade de um comentador. Já falou em trela, veja lá, não me diga que lhe quer pôr o açaime.
ASENSIO


De Miguel Reis Cunha a 18 de Agosto de 2009 às 00:14
Caro James
O João Gonçalves é dos bloggers mais originais e criativos que eu conheço.
Os seus posts devem ser contextualizados e relativizados no âmbito de um estilo que lhe é muito próprio.


De james a 18 de Agosto de 2009 às 00:42
Caro Miguel Reis Cunha: refere-se a que relativismo? Ao de Einstein?
E pode concretizar-me o que é isso de posts "contextualizados e relativizados"?


(não quero dar-lhe lições de moral, mas olhe que o relativismo permite TUDO, tem as costas muito largas e não me parece que seja uma boa abordagem...)


De Anónimo a 18 de Agosto de 2009 às 17:18
Portanto, deve dar-se-lhe o desconto... ;). Eu não sei é se o João Gonçalves aceita tanto paternalismo.

Pedro


De José Barros a 18 de Agosto de 2009 às 01:13

O João Gonçalves, como o Pacheco Pereira e uns poucos outros, destapam a careca da putinização do regime. É por isso que sofrem as represálias de uns quantos assessores, entretanto elevados a candidatos a deputados. É a lei da vida e o João Gonçalves sabe-o e está disposto a pagar o preço, como os poucos que dizem tudo o que pensam (ênfase no "tudo", porque é o "tudo" que faz a diferença em tempos difíceis).

Quanto ao resto, ao fim de quatro anos de deboche, quem se apresenta como virgem não tem outro remédio senão parecer galdéria. Os recentes posts de JPP são o melhor retrato dessa era que agora termina.


De tricAnti-Xuxas a 18 de Agosto de 2009 às 00:25
"Mas, também é habitual ver, sobretudo na blogosfera, em matérias como a interrupção voluntária da gravidez, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a apologia da homossexualidade, etc.. as pessoas ditas de “esquerda” desatarem a injuriar e a insultar a parte contrária."

eu não acredito no dialogo com a esquerda! é pura perda de tempo, em minha opinião !! e o caso em que o Primeiro-Ministro de Portugal falta à palavra ao Presidente da Republica de Portugal e ainda por cima, ironia das ironias, foi sobre o Conselho de Ética... so mostra que a esquerda ( socialistas e BE ) entraram no caminho do vale tudo e com a cobertura da comunicação social ( ex-como demonstram os ultimos editorais do DN )e de grande parte da blogosfera, de esquerda , dos "neutros" ! é o vale tudo e ainda por cima tem o descaramento, de pretender, como se refere o post, de pretenderem definir as regras do jogo politico( deve ser por causa da superioridade Ética...), exemplo actual disso, é o caso a que Pacheco Pereira se refere, como é possivel terem tamanho descaramento, lata!!... so da vontade de os mandar todos pro c...!!!!!!!!!!!!!!





De Ricardo Noronha a 18 de Agosto de 2009 às 01:17
«filho do filho?» O que é que isso quer dizer, exactamente?
«O dono deste Blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts. «(?????)


De Jesualdo Namora a 18 de Agosto de 2009 às 11:46
Essa dos IPS's tem muita piada. O mito urbano de que a cada computador corresponde um IP (autónomo), demonstra bem a ignorância de quem invoca o tema. A cada IP (e eles mudam periodicamente mesmo para o mesmo computador) estão associados milhares de computadores pessoais. É possível saber, sim senhor, que determinado IP está localizado entre a rua X e a rua Y. Mas mais nada. Em certos casos (grandes empresas, bibliotecas públicas, hospitais, ministérios, cibercafés, etc.) em que os computadores estão interligados em rede comum, pode suceder, mas não é forçoso, que haja IP único. Mas nesses casos, com centenas de utilizadores diários, quem escreveu o quê?


De Ricardo Ferreira a 18 de Agosto de 2009 às 12:10
Este post tem alguma incoerências...

Primeiro, falou do insulto do Galamba ao Gonçalves, poderia muito bem ter falado no rasteirismo do Gonçalves ao Constancio e depois na tentativa do Gonçalves em branquear um escrito seu de forma a tornar-se virgem e a colocar-se no papel do coitado que foi insultado....

Segundo, falou da campanha mediática contra Sarah Pallin? Não existiu campanha nenhuma, foi a governadora que falava e as câmaras estavam presentes... mais nada do que isso.


De jmmtc a 18 de Agosto de 2009 às 13:48
Anda por este país político e blogueiro uma mania de classificar qualquer crítica, onde se utilizem palavrões ou expressões mais severos, como um insulto.
Se alguém diz que um ministro, deputado, ou o sr. fulano de tal mentiu sobre algo ou alguma matéria política e, baseia os seus argumento mesmo em factos e opiniões concretos, vem logo a turba toda afecta ao afectado clamar como insultuosas tais afirmações. Politicamente, a melhor defesa para alguém acusado de mentir, é precisamente dizer o contrário e devolver a acusação. Aos corninhos do ministro devia ter-se respondido de dedo médio esticado e não pedir a sua demissão.
Perde-se, sob uma capa de um suposta e branca decência, a capacidade de discussão e argumentação.
Chamar alguém filho-da-puta, em certos contextos é o mesmo de dizer de alguém que é um sacana, ainda que literalmente dizer de alguém que é um sacana pode ser bem pior.
Há que haver poder de encaixe e argumentação. Há cada vez mais necessidade de ser sacana e meio para cada sacana que por aí anda.
Sob a capa do "decoro" perde-se a decência que um "insulto" tem e deve possuir no combate livre de opiniões e ideias.


De Miguel Reis Cunha a 18 de Agosto de 2009 às 19:07
Caro James,
Se for leitor assíduo do blogue do Portugal dos Pequeninos perceberá certamente o que quis dizer com a importância da contextualização dos posts do João Gonçalves.
Por outro lado, também concordo consigo sobre o perigo da abordagem via relativismo. O problema é que o absolutismo de esquerda começa a tomar proporções tais que só mesmo a defesa do relativismo é que nos poderá salvar.

Ricardo Ferreira,
Primeiro, no meu post comecei por dizer que na blogosfera há como que um costume que permite pisar o risco dos limites da liberdade de expressão. Porém, daí a partir para o insulto directo vai ainda uma grande distância.

Segundo, Sarah Palin deverá ter sido alvo dos ataques mais ferozes dos media de “esquerda” que alguma vez se viu nos EUA. A titulo de exemplo cito o Daily Show de Jon Stewart ou de Bill Maher onde se chegou ao ponto de ridicularizar o filho com sindroma de Down de Sarah Palin...

Caro Jmmtc,
De facto, invoquei o relativismo para defender a liberdade de expressão mas não vá tão longe ao ponto de dizer que a expressão que foi usada não é um insulto. Relativismo sim, mas tanto também não...:O).



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