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Jamais

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19
Ago09

Ai os proteccionismos

Tiago Moreira Ramalho

O Hugo Mendes escreveu no Simplex uma coisa extraordinária: o PS, com o seu Pacto para a Internacionalização, mostra ser um partido internacionalista e não proteccionista. Deus nos valha. O que para aqui vai.

Uma vista de olhos no programa de governo do PS é extremamente elucidativa sobre o tipo de pacto que vai ser feito. Por todo o lado aparecem expressões como «apoiar», «incentivar», «estimular». Isto, meus amigos, quando é feito com dinheiros públicos, chama-se proteccionismo. A ideia de que o governo tem de subsidiar as empresas nacionais para que estas tenham presença no estrangeiro é uma ideia proteccionista. E sim, tal como o André Abrantes Amaral escreve, não há aqui diferenças com as políticas como a desvalorização da moeda (tão amada na nossa terra até à chegada do euro), como a criação de limites e barreiras às importações, etc. e tal.
Esta visão que o Partido Socialista tem dos agentes económicos é a típica visão socialista, ideológica e não partidariamente falando, na qual apenas com o Estado é possível as empresas privadas serem algo. Em que os empresários, sejam grandes ou pequenos, são incompetentes que só conseguem atingir algum patamar de sucesso se tiverem um gestor de cliente só para si (página 18 do programa do PS). Em que ninguém pode actuar em liberdade, sem intromissões não requisitadas. Em que é preferível ter uma economia dependente de subsídios e, portanto, extremamente débil, para saltar lugares nas estatísticas em vez de permitir que a economia se fortifique através da concorrência com o exterior.
O PS quer o país que exporte mais? Todos queremos. A diferença é no caminho que uns e outros julgam adequado para tal.
 
Post-Scriptum: ó Hugo Mendes, já agora, «internacionalista» e «proteccionista» não são conceitos opostos. Aliás, costumam estar de mãos dadas, porque os proteccionismos servem, as mais das vezes, para internacionalizar as economias (como é o caso). Veja a China: também é muito «internacionalista».

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Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.

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